domingo, junho 05, 2011

Tentando Uma Adaptação - Cap. 6

Cap. 6 – Amor X Amor
Mais ou menos 19h00min acordamos. Sim, nós pegamos no sono. Levantamos e sentamos na cama. Minha cabeça latejou e depois melhorou.
Não sabíamos o que falar e ficamos apenas nos encarando. O silêncio foi tão constrangedor que parecia que éramos humano X extraterrestre mantendo um contato pela primeira vez. O silêncio foi quebrado por Edward.
- Não vai falar? – perguntou.
- Falar o quê? – rebati. – Temos que pensar no que fizemos. Ninguém pode saber por que somos irmão. Nossos pais vão ter um infarto. – falei rapidamente.
- Bella, Bella. Não, não somos irmãos e nunca vamos ser. E pode ter certeza que Carlisle não vai ter um infarto. Ele apóia minhas decisões e se eu disser a ele que estou namorando você vai ser a mesma coisa de uma garota de fora. – murmurou. – Só que vamos morar juntos e sua mãe e meu pai sempre não estar presentes. – completou Edward.
Não tive resposta do meu cérebro. Tudo que Edward disse era verdade. Esme também aceitaria.
- Mas, claro, nós só nos beijamos. Não foi uma catástrofe. – murmurou. – Estamos confusos, não estamos?
- Estamos – e eu ri. – Esme aceitaria. Mas vamos ver no que vai dar.
- Você tem razão – indagou e tocou o meu queixo.
Nós levantamos. Edward arrumou a cama comigo e guardamos nossas roupas nas gavetas das duas cômodas do quarto.
- Será que alguém chegou? Faz tempo que eles saíram. – perguntou Edward.
- Aposto que não. Alice e Rosalie não deixariam ninguém voltar antes das nove da noite. – murmurei. – Já aconteceu comigo.
- Jantamos ou não? – perguntou Edward
- Vou ligar para Esme. – disse e sai do quarto. Desci as escadas discando o número de Esme. Todos agora tinham um celular alemão para a nossa comunicação fácil.
- Mãe, vocês não jantar aqui ou vão comer por aí mesmo? – a resposta obtida me fez sentir como uma delinqüente na reabilitação.
Desliguei o telefone e fui à cozinha. Tirei as panelas do fogão e tirei vinho da geladeira para degustar antes de comer.
- Edward! Desce. Vamos ter que fazer nosso jantar. – e pus água no fogo para fazer um belo macarrão.
Edward desceu às pressas a escada, não tinha escutado o que eu tinha falado. Sua expressão era de espanto e surpresa. Chegou um pouco ofegante na cozinha.
- Que aconteceu? – murmurou.
- Nada. É que eles vão jantar lá, e isso significa que vamos ter que cozinhar. Vou logo te avisando que só sei fazer macarrão. – disse, virando-me para o fogão.
- Ah! Nisso você está salva, eu sei cozinhar muito bem. – riu da minha cara de espanto.
Edward não tinha cara de cozinheiro, mas fez um macarrão esplendido com bife assado à cebola – como ele disse – e um suco de laranja bem docinho. Disse que laranja era um ótimo remédio para não engordar muito cedo. Principalmente quando tomado a noite. Eu não sei de onde ele tirou aquilo, mas deu certo. Senti-me leve.
Depois que comemos Edward e eu fomos para a sala para escolher algum filme. Esme voltaria as nove e ainda não eram sete e meia. Tínhamos tempo.
- Olha isso aqui: “Nos embalos de sábado à noite”. Nossa isso é do Carlisle? – perguntei, fazendo uma cara bem esquisita que fez Edward ri.
- É Carlisle tem todos os filmes de John Travolta. Não sei como ele conseguiu – murmurou. – É mais uma coleção, como a de carinhos.
- Uau, seu pai é bem único. Diga a ele que ele tem uma fã.
Por fim, escolhemos um de suspense bem maneiro para assistir. Edward persistiu em escolher alguma coisa mais leve, pensando que eu já era medrosa, mas eu o persuadi. Ele aceitou um pouco relutante.
O filme começou e eu já fiquei entediada. Era um filme comum de suspense que não é uma grande produção. Encostei-me bem no sofá, pondo os pés na mesinha no meio da sala e relaxei. Quem sabe eu não dormia ali mesmo. Melhor do que assistir quilo.
Edward fez o mesmo com os pés e chegou mais perto de mim, passando o braço ao meu redor. De fato aquilo foi bom, pois me esquentou, mas me fez ficar atenta ao filme, agora que eu tinha um cobertor a meu serviço.
Depois de dez minutos de filme, Edward perguntou:
- Você está gostando mesmo desse filme?
- Não – disse.
- Eu vou trocar... – mas foi impedido por mim de se levantar.
- Não, não... Fique aqui está ótimo. – eu estava bem sonolenta e se Edward se levantasse eu esfriaria.
Sem perceber, nós dormimos no sofá. O que nos acordou foram os outros chegando em casa e batendo a porta. Sobressaltei-me e Edward acordou, prendendo-me mais contra ele, alarmado.
- Calma, sou eu. É melhor vocês subirem, aqui embaixo vai ficar movimentado para vocês dormirem. – disse Esme, sentada no braço esquerdo do sofá.
Subimos – Edward me rebocou até lá, as mãos em volta da minha cintura, cuidando para que eu não tropeçasse. Eu parecia um zumbi.
- Chegamos – disse Edward, me deitando na cama e caindo junto. Ele também estava cansado. Sentou-se na cama e tirou nossos sapatos. Depois, arrancou a blusa – na sala fazia frio, ma no nosso quarto não tinha janelas, então era bem aquecido -, jogando-a longe.
- Quer alguma ajuda? – perguntou, apontando para a minha roupa.
Minha blusa era bastante folgada, mas a calça era jeans. Assenti positivamente e abri o botão e o zíper da calça. Edward cravou as mãos na lateral e puxou até o final das minhas nádegas. Depois se livros do cós e puxou a ponta nos meus pés para a calça sair.
Minha calcinha era meio cueca. Aquelas bem confortáveis e elegantes, mas a blusa cobria boa parte dela. Deitamos-nos corretamente e Edward passou o lençol sobre a gente.
E sucumbimos.
Quando acordei, estava totalmente disposta a sair. Eram 06h33min da manhã, mas Edward anda dormia. Nosso sono era sempre interrompido na madrugada que fiquei admirada de vê-lo apagado até àquela hora.
Sentei-me na cama e me pus a fitá-lo; era como estar diante de um anjo em seu dorsal sono e sua beleza mais ressaltada. Edward estava de barriga para baixo e a cabeça em minha direção; não estava tenso. Sua face era tão tranqüilizadora que não consegui controlar o impulso de tocá-lo.
As costas da minha mão tocaram sua bochecha, provocando em mim um arrepio incomum. Edward não se mexeu. Das bochechas passei a testa e depois fui às madeixas lisas cor de bronze. Era um deus grego americano.
Edward não me vê como “a garota que tem asma”. Ele realmente não se importa com isso. Trata-me como uma pessoa normal. Isso me deixa mais relaxada, a preocupação em sempre equilibrar as minhas ações desaparece e eu reajo espontaneamente. Ele também age espontaneamente comigo. Ele é a pessoa certa que eu tenho que conviver e fiquei feliz por Esme ter escolhido Carlisle.
Comecei a fazer cafuné em seus cabelos. Aquela ação fez brotar um sorriso no canto da boca de Edward. Não me espantei, eu o estava relaxando. Nem me dei conta de que ele estava acordado.
- Isso é maravilhoso. – murmurou Edward, abrindo os olhos e sorrindo. Eu apenas retribuí o sorriso.
Ele mudou de posição, ficando de lado a minha frente. Seus olhos fechados davam uma idéia de dormência, mas ele estava bem acordado.
- O que fiz para receber esse carinho?
- Nada. Você estava tão imerso no sono que eu tive vontade de fazer um cafuné.  – respondi – Você parece um garotinho dormindo.
- Obrigado. – disse ele, sério.
- Pelo quê?
- Eu nunca conheci uma pessoa como você antes. – murmurou – Quando eu estou com você, me sinto bem e completo.
O que ele disse me pegou de surpresa, porque era exatamente o que eu sentia. E eu sentia que ele estava sendo sincero.
- Eu também. – respondi.
Ele riu e se sentou na cama. O dia correu sem que percebêssemos.
- Acho melhor descermos. Está cedo para dormimos e precisamos fazer contato com a nossa família senão seremos esquecidos. Se dormirmos agora, acordaremos de madrugada novamente.
Eu assenti e nos dirigimos até a sala. Eram 22h47min da noite e ninguém pretendia dormir nem tão cedo. Rosalie e Alice estavam sentadas no sofá enrolando uma mecha dos cabelos no dedo. Quando Alice me viu logo me chamou. Edward se dirigiu a cozinha.
- Ah! Bella, você deveria ter ido. Mesmo com neve a Alemanha é linda. – disse Alice.
- Neve? – perguntei confusa. Não percebi que estava nevando.
- Sim, fizemos compras, almoçamos e jantamos em restaurantes diferentes. – tagarelou Alice. – E, sabem, os alemães são gatinhos. Amanhã podemos sair e eu te mostrarei o shopping, é demais.
- Claro, mas – hesitei em perguntar – o que aconteceu depois que eu e Edward saímos do terraço na Itália quando Emmett e Jasper estavam discutindo? – falei.
- Aah... Eu acho que a Rosalie explica melhor – disse Alice, virando-se para Rosalie e empurrando-a para minha frente.
- Bem, os garotos discutiram feito duas crianças. Quando Jasper perdeu a cabeça nós interferimos. Então o Emmett acendeu as luzes e nos entreolhamos e demos por conta do sumiço de vocês.
“Aí nós percebemos que a brincadeira tinha terminado e... Subimos, cada uma para o seu quarto. O resto é pessoal. – contou Rosalie, virando as costas para eu e Alice.
– É, o resto é pessoal. Vamos nos juntar aos outros? – perguntou Alice, mudando de assunto e levantando-se do sofá.
- Peraí, o que é pessoal? – perguntei – Rosalie... Você... Emmett... Eu não acredito! – esbravejei. Coitado do Emmett, a Rosalie não larga antes de 2 meses um cara.
- O que é que tem? – disse Rosalie – Ele gostou e também queria.
- Deus! – disse me virando para Alice – E você? O que foi seu ‘pessoal’?
- Eu não transei com o Jasper... – sussurrou Alice – mas não quer dizer que não aconteceu nada.
Fiz uma cara de ‘não acreditando’ e pensei que eu nasci na família errada. Minhas primas eram malucas por sexo. O que é que tem escolher uma pessoa para isso e não sair pegando o primeiro?
- Vocês não são minhas primas. – disse – Vamos. – e me levantei para ir a cozinha.
Nós fomos até a cozinha e todos estavam rindo e só Emmett comia um sanduiche.
- Pensei que vocês tivessem jantado fora – disse eu à Emmett.
- Jantamos, mas Emmett é extravagante – disse Jasper,, sentando no balcão entre Emmett e Alice. – Como foi o dia de vocês?
- Normal, calmo, sonâmbulo. O de sempre. – respondi.
- Vocês perderam, foi demais! – indagou Emmett, de boca cheia. – Vimos várias gatinhas alemães de bobeira - e levou uma tapa no braço de Rosalie, que estava ao seu lado.
Emmett se assustou e soltou um ‘desculpa’ em forma de gemido.
Fui até Esme e Carlisle que estavam encostados numa parede ao lado da geladeira.
- Se divertiram? – perguntei, abrindo a geladeira. Peguei uma garrafinha d’água.
- Sim, foi bem divertido. Chegou até ser uma aventura. Quase nos perdemos. – disse Carlisle.
- É, Emmett não perde a piada. – riu Esme, beijando Carlisle. Era a minha deixa.
Distanciei-me deles procurando Edward perto da pia, mas só o encontrei numa janela do lado oposto a Esme e Carlisle.
Ele estava vislumbrando o céu. Mas parecia mais distante do que reparando em alguma coisa. Aproximei-me e fiquei na mesma posição dele sobre a janela.
- Sabe, se nosso quarto tivesse janela, teríamos uma vista melhor que essa. – murmurei.
Edward entendeu meu recado e me puxou em direção à escada. Aquela era nossa saída ao zumbido da cozinha lotada.
Chegamos ao quarto e eu agarrei Edward. Meus braços ao redor dos seu pescoço. Ele retribuiu. Era boa a tranqüilidade do nosso quarto, o calor que ele emitia.
Eu e Edward nos deitamos. Por incrível que pareça, nós dormimos novamente. Agora em sono leve.
Edward com a mãe dentro da minha blusa, acariciando minhas costas e eu fazendo cafuné em seus cabelos.
Como dizia Shakespeare: O meu amor eu guardo para os mais especiais. Não sigo todas as regras da sociedade e às vezes ajo por impulso. Erro, admito. Aprendo, ensino. Todos erram um dia: por descuido, inocência ou maldade. Conservar algo que faça eu recordar de ti seria o mesmo que admitir que eu pudesse esquecer-te.
Edward seria impossível de esquecer. Eu seria impossível de esquecer. Nós seriamos indispensáveis um para o outro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário