sábado, junho 11, 2011

Tentando Uma Adaptação - Cap. 7

Cap. 7 – Um Idioma Esquisito
- Bella! – a voz de Alice era a última que eu queria ouvir. – Bella, Edward, acordem já!
Eu e Edward nos mexemos e gememos ao perceber o barulho na porta.
Edward me prendeu com seus braços por trás em uma maneira de dormir de novo, mas era impossível com Alice batendo na porta.
- O que foi Alice? – perguntei.
- Vamos sair, nós, os casais, sem Esme e Carlisle. – disse Alice – Então, se arrumem logo.
- Que horas são? – perguntou Edward.
- Umas 6h50. Vamos – insistiu Alice.
Levantamos-nos e eu fui tomar banho e escovar os dentes. Logo depois Edward foi. Vesti uma calça jeans escura, uma blusa de manguinha e uma camisa de frio grossa por conta da neve. Edward vestiu uma roupa parecida.
Quando descemos, Alice, Jasper, Rosalie e Emmett estavam com algumas mochilas nas costas. Alice nos esperava no fim da escada.
- Qual é a das mochilas? – perguntei eu.
- Suprimentos. Cada um com umas coisas necessárias na sua mochila. – respondei Alice – Jasper, por exemplo, têm dicionários, internet móvel e GPS conectado a casa.
- Bem pensado. – murmurou Edward – Aonde vamos?
- Dois táxis estão nos esperamos lá fora para irmos ao centro, passeamos por lá algum tempo depois vamos para mais longe. – indagou Jasper – Tem uma floresta por trás do shopping, poderíamos ir lá.
- Como assim uma floresta? – disse Edward – Ficaram loucos?
- Calma, é uma reserva protegida por guardas. Vai ser demais! Uma aventura animal. – disse Emmett.
Todos se arrumaram com suas mochilas. Eu e Edward recebemos uma. Quando estávamos preparados, lembrei do mais importante.
- Minha bombinha. – e corri até o escritório de Carlisle. Desde a Itália, Esme é quem estava com todos os inaladores. Talvez estivessem no escritório.
Procurei por todo o lugar no escritório e nada. Subi as escadas depressa até o quarto de Esme e bati na porta.
- Esme, preciso dos meus inaladores. – e dizendo isso, Esme abriu a portar abruptamente com uma cara assustada.
- Você está bem? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Esme, apressadamente.
- Não, não – ri de como Esme ficou. Assenti negativamente e Esme se acalmou – É que vamos sair e eu preciso deles. Está com você?
- Sim, dois. – se virou e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira do quarto. – Aqui – se dirigiu a porta e me entregou dois inaladores. – Cuidado na floresta.
- Você sabe?
- Sim, Rosalie me contou. – murmurou Esme. Fiquei surpresa em Rosalie ter contado a ela.
 Voltei para a sala e todos se levantaram do sofá. Joguei um para Alice para ela guardar – ela pegou com agilidade – e me dar se precisasse. Guardei o outro comigo e saímos da casa.
A neve estava baixa no chão e não caia mais flocos do céu. Alice disse quando estávamos num dos táxis que, se continuasse assim, a floresta estaria limpa de neve e facilitaria a nossa locomoção.
Os taxis nos deixaram e frente ao shopping no centro da cidade que eu não sei o nome. Quer dizer, eu não sabia nada da Alemanha.
Quando nós entramos, rapidamente Emmett foi direto a escada rolante. Parecia que ele conhecia. Pelo jeito de Emmett, não sei como ele se enturmava, principalmente porque nenhum de nós sabia alemão. Rosalie o seguiu.
Eu, Edward, Alice e Jasper continuamos andando . O movimento estava calmo e o tempo estava praticando exercício porque já eram 07h30min.
- Quanto custa àquela blusa? Eu amei! – murmurava Alice para quase todas as roupas que via pela frente. Era irritante, mas o Jasper sempre estava atento com o seu dicionário.
Quando batiam 09h00min Emmett ligou para mim.
- 09h00min, maninha, vamos para a reserva? – perguntou.
- Sei lá, vou falar com o pessoal. – e pus a palma da mão no fone do celular. – Querem ir para a reserva? – disse para meus acompanhantes.
- Vamos sim, temos que voltar antes do jantar senão a mamãe nos mata - disse Jasper e eu admirei a intimidade e empolgação dos garotos com a nossa família; e com o ‘mamãe’ também.
- Tá – disse e pus o celular no ouvido – Nós vamos, onde vocês estão? – perguntei a Emmett.
- Na entrada do shopping esperando vocês.
- Ok. Estamos indo. – desliguei e guardei o celular no bolso. – Eles estão esperando a gente na entrada do shopping. Vamos.
Demorou um pouco porque nenhum de nós memorizou o caminho mas, por fim, chegamos.
Um taxi nos deixou na entrada da reserva – que era cercada por um muro enorme que permitia que crianças de 12 anos andassem por ela sozinhas – e nos dirigimos a uma mulher que nos deu uma pulseirinha para cada e perguntou se éramos um grupo e nos emprestou dois rádios para emergência.
Quando entramos, percebemos que não era fácil. Tinha muitas árvores e quase não se via o muro.
- Bem, isso vai ser divertido – disse Edward, se aquecendo – Pelo menos uma aventura de verdade nessas férias.
Eu ri e fiz o mesmo. Tirei o casaco e amarrei-o na cintura. Apertei mais a mochila e respirei fundo. Ia ser legal, com certeza.
- Vamos fazer dois grupos. – disse Rosalie – Para usar os rádios. Ficará mais real.
- Ok, quem com quem? – disse Jasper – Temos que ter também o nome das equipes.
- Alice vai ficar comigo – disse eu.
- Ficamos eu, Alice e Bella com o nome... Águia e o resto com Golfo. Que tal? – sugeriu Edward.
- Hmmm. É, né, vamos. – disse Jasper.
Então, começamos a andar. O meu grupo, Águia, para a direita, e o Golfo, para a esquerda. Estávamos todos bastantes animados com a aventura na reserva. Isso iria fazer a gente entrar de vez no clima das férias.
- Bella, qualquer coisa você me avisa, ok? – disse Alice, ao meu lado.
- Alice, você está parecendo à mamãe. – rebati.
- Tô falando sério – murmurei.
- Não vai acontecer nada. – respondi – Pode ficar tranqüila e se diverti? – perguntei.
- Claro. – disse Alice repondo seu belo sorriso no rosto.
Continuamos nossa caminhada. Edward na nossa frente, guiando-nos. Estava bastante escuro para o horário, mas era porque estava nevando.
O frio logo nos alcançou e vestimos nossos casacos. Eram umas 13h30min e estávamos bastante cansados. Eu, claro, ofegante.
- Bella, você precisa parar. – disse Edward, me puxando pelo braço até uma árvore. – Alice, o inalador, por favor – completou.
Alice o entregou. Eu estava sentada no chão de cabeça baixa. Verdade, eu estava entrando em crise. Edward se sentou ao meu lado e segurou meu queixo, erguendo-o.
- Agora, inale – murmurou Edward, pondo o inalador na minha boca. – Vamos, inale. – eu inalei, bem rápido, pelo visto, pois eu tossi logo em seguida.
Respirei fundo e me estabilizei. Recuperando meu estado normal e olhei para frente, ao ponto fim da reserva.
- Vamos bipar os outros para saber onde eles estão? – disse Alice.
- Faça isso. – murmurou Edward alisando meus cabelos.
Eu estava meio atordoada por causa da inalação. Isso sempre acontecia por causa da pressão que eu recebia quando inalava. Mas era questão de minutos passar.
Edward levantou novamente meu queixo para me olhar. Seus olhos estavam preocupados e tensos.
- Você está bem?
- Sim. Não há necessidade de se preocupar. – murmurei – Isso sempre acontece, estão exagerando.
- Não é exagero, Bella. Você tem que ficar bem. Se quiser podemos voltar.
- Deve estar brincando. Não voltaria por nada. – falei bufando.
- Eles estão chegando. – murmurou Alice.
- Está pronta? – perguntou Edward a mim.
- Sim. – murmurei. – Estamos chegando. Vamos logo. – disse e me levantei. Os dois me seguiram novamente, concentrados e animados na nossa expedição, que era até o lado oposto da entrada da reserva.
Quando chegamos, duas horas depois, Emmett e Jasper com Rosalie já estavam lá, sentados no chão.
- Ia bipar vocês agora mesmo. Acabamos de chegar – disse Jasper. – Se liga na nova: Emmett fala alemão.
- Hmmm. Já que estão todos aqui, vamos voltar, chegaremos à entrada na hora do jantar. – disse Rosalie – Essa reserva é grande demais. – e me lançou um olhar cauteloso.
- É, melhor irmos, vamos – concordou Alice. – Mas, Emmett fala alemão? Como?
- Curso rápido de uma semana na internet – respondeu Emmett – Só o básico – e sorriu.
Todos riram.
- Você está bem? - perguntou Rosalie a mim.
- Sim, sim. – murmurei. – Claro.
Por fim, depois das seis horas da volta, igual à 21h30min da noite, chegamos à entrada. Puxa, caminhar por seis horas não é brincadeira.
Devolvemos os rádios e fomos para casa. Ao chegar, o cheiro de comida nos lembrou de que estávamos famintos.
- Epa, epa. Nem pensem em entrar na cozinha antes de tomarem banho. – disse Esme quando íamos em direção a cozinha, nos pegando de surpresa.
Subimos para os quartos para tomar banho e matar a fome logo em seguida.
- O que achou do nosso passeio hoje? – perguntei a Edward.
- Foi bem legal. Principalmente na volta. – respondeu.
- Porque na volta?
- Porque você caminhou seis horas sem precisar inalar.
- Você estava me observando?
- O tempo todo. – disse Edward – Você foi extraordinária. Parabéns.
- Nossa, obrigada – respondi, sem graça dos elogios de Edward – Também me sinto orgulhosa. Mais um limite batido.
- Uhum – disse Edward se aproximando – Você foi maravilhosa.
E chegando bem perto me lançou um beijo quente como pão recém saído do fogo, mas com gosto doce. Eu esqueci onde estava.
- Uma ótima recompensa. – disse eu quando fui liberta do aperto abrasador de Edward – Mas é melhor tomarmos banho. Eu estou com fome.
- Claro. – Edward sorriu e se afastou.
Tomei eu primeiro um banho. Aprontei-me rapidamente, Edward também. Assim que tudo pronto, descemos e encontramos os outros no corredor. Menos Alice.
Entrei no quarto dela e não a encontrei. Fui até o banheiro e lá estava ela, penteando os cabelos numa lentidão exaustante. Sua expressão era de preguiça.
- Oi, Alice – falei aproximando-me dela – Tudo bem?
- Sim, não, talvez. – respondeu ela.
- Por quê?
- Sei lá, eu queria uma coisa emprestada...
- Ai, Alice, fala logo. – murmurei exaltada.
- Eu sempre quis um vestido vermelho, tomara que caia, com uma pantera bordada na barra... – disse Alice, mas eu a interrompi.
- Não, não, não, não. Você quer meu vestido pantera? – disse eu – O meu melhor vestido. Esse pranto todo é só charminho?
- Por favor, Bella, eu quero sir para uma noite quente com o Jazz e nada no meu armário serve. Você nunca usou aquele vestido – falava Alice com as mãos juntas no peito – Eu prometo que devolvo lavadinho. Por favor?
- Mas, Alice, está nevando. – murmurei
- Ah, eu tenho uma meia calça perfeita para ele que esquenta e uma jaqueta. – respondei Alice.
- Vai cuidar bem dele? – perguntei.
- Claro que sim – disse ela.
- Ok, te dou depois do jantar. – disse – Vamos comer.
- AH! Obrigada – disse Alice me abraçando. – Mas, e você e seu colega?
- Eu e quem? – me confundi.
- Você e o Edward – disse Alice.
- Que é que tem?
- Vocês são tão próximos. Ele não tirou os olhos de você na reserva.
- Será que todo mundo percebeu menos eu que ele estava me olhando? – rebati.
- Sim, seu irmão Jasper.
- Ah, minha nossa Senhora. O que foi que ele disse? – perguntei.
- Disse que tinha muito mais entre vocês do que só amizade.
- Vocês... estão viajando na batatinha – me exaltei.
- Meninas, desçam. – gritou Esme quando eu ia gritar ainda mais com Alice.
Assim fizemos. Descemos e nos juntamos aos outros que já estavam comendo. Eu e Alice nos sentamos nos lugares de sempre: Ela na minha frente e eu ao lado de Edward e Emmett.
O jantar foi bem agradável. Comemos lasanha e bebemos vinho. Coisa bem leve. Depois decidimos assistir um filme que Rosalie comprou no shopping.
- O filme é super legal. Li o enredo na internet e me apaixonei. – murmurou Rosalie.
- Eu não acredito que é romance. – disse Emmett.
- Não, eu disse que não. Bom, tem romance, ação, aventura, drama e mais alguma coisa.
- Parece legal – disse Alice e Carlisle assentiu positivamente também.
Rosalie pôs o filme e nos acomodamos no sofá. Carlisle e Esme pareciam se diverti com a situação. Estavam sentados no centro do sofá. Emmett e Rosalie a sua esquerda e Alice e Jasper na sua direita. Eu estava do lado de Alice com Edward ao meu lado.
O filme começou com um grito desesperado; eu que estava distraída, me assustei. Edward se moveu ao meu lado, virando mais para mim, que estava do lado de Alice-Super-Atenta. Ela me cutucou na cintura. Eu não entendi, mas também deixei para lá.
As cenas foram passando e a turma se agitando. Emmett e Jasper começaram a discutir sobre as cenas seguintes. Carlisle e Esme se despediram dizendo que estavam cansados; eu bem sabia como eles estavam cansados e o que iam fazer.
Alice, sem paciência, puxou Jasper mais para si e fez cafuné nele. A discussão terminou e o silêncio pairou. Só nos demos conta do que estava acontecendo quando Emmett soltou um “gostosa”. Ele e Rosalie estavam aos beijos e chamego. Eu e Alice nos entreolhamos e sorrimos. Realmente, aquela não poderia ser minha família.
Para agravar mais a situação, Alice e Jasper fizeram o mesmo e tiraram o atraso, atracando-se ao meu lado.
Parecia que eu estava sozinha, só aí me lembrei de Edward ao meu lado.
Virei-me para fitá-lo e o vi com uma mão apoiando a cabeça. Parecia entediado.
- Tudo bem, Edward? – perguntei, já pensando na resposta.
- Sim. – respondeu ele, secamente.
- Tem certeza? – insisti.
- Parece que esse não é um lugar ideal para se conversar. Prefiro esperar as demonstrações públicas de afeto acabarem, se não se importa. – disse ele.
- Ok. – assenti sem saber o que havia acontecido para ele estar daquele jeito.
Algum tempo depois, os beijoqueiros se desgrudaram e voltaram a atenção para o filme.
Até que era legal. Todos nós ficamos tensos com o decorrer da história. Com certeza era um filme de suspense. A protagonista sempre se salvava do ataque no último segundo. Ficamos tão absortos no filme que os créditos finais começaram  e ninguém se mexeu. Foi Jasper quem cortou o silêncio.
- Nossa! Que filme.
- Bota filme nisso – murmurou Alice.
Rosalie se levantou para tirar o DVD.
- Eu disse  vocês que era bom – murmurou Rosalie.
- Até que enfim acertou uma coisa, loura. – disse eu.
Rosalie apenas respondeu como sempre respondia quando a chamava de loura: mandando o dedo do meio.
Alice, Jasper, Edward e eu subimos. Ainda não eram 00h00min mas todos estávamos cansados por causa do longo passeio. O que mais eu queria agora era cama.
Quando chegamos ao quarto, lembrei-me que Edward queria falar comigo. Quer dizer, ele preferiu responder minha pergunta quando 'as demonstrações públicas de afeto acabar’ palavras dele.
- Então, Edward, pode responder minha pergunta. - disse eu.
- Você perguntou se eu estava bem – murmurou – e eu respondi que sim. Mas você insistiu perguntando novamente.
- Porque tem alguma coisa errada – cheguei mais perto dele, que estava sentado na cama – Eu seu que sim.
- Ok, primeiro: eu não estava totalmente animado para essa viagem; eu só vim por sua causa. – e sorriu para mim – Segundo: a Itália parecia mais divertida do que aqui e terceiro: eu não gosto dessa casa.
- Como assim não gosta dessa casa? Ela é linda.
- Todo mundo gostou, menos eu.
- Você quer ir para casa? – perguntei entristecida. Se Edward fosse embora não teria graça.
- Não, é só um problema meu com casas. Preciso me familiarizar com essa ainda. Eu detesto todas as casas em que eu morei. Foi muito difícil eu me acostumar com a casa de Forks.
- Hmm. Espero que você se anime mais. Talvez amanhã possamos sair, relaxar. – sugeri.
- Faria isso? – murmurou Edward – Por mim.
- Claro que sim – respondi. – Sem hesitar.
Edward me lançou um sorriso de tirar o fôlego; Só depois de alguns minutos viajando na batatinha que lembrei que estava cansada.
Caí na cama onde Edward já estava deitado e me acomodei. Pude sentir meus músculos relaxando.
Senti a mão de Edward em minhas costas. Ele me puxou para mais perto, de modo que nossos corpos ficassem colados e eu sentia claramente o cheiro doce de Edward. Foi como água morna nos meus pés.
- Bella, você é tudo que eu preciso – murmurou Edward ao meu ouvido. Aquilo era tudo que eu queria escutar.
- Você é tudo que eu preciso. – respondi.
Aquela seria as férias das nossas vidas. Minha e de Edward.
Dormimos como crianças. Sem stress, sem tensão. Eu tinha tudo que eu queria ao meu lado e isso já bastava. Agora nós é que éramos os bobos.

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